Com uma organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão em colaboração com o Museu Bernardino Machado, a conferência de abertura do Ciclo de Conferências de 2013 não poderia ter decorrido da melhor maneira: mais de uma centena de pessoas compareceram ao referido Museu para assistirem à conferência inaugural do Ciclo, cuja temática este ano se refere aos “Pedagogos e Pedagogia em Portugal”; e para abrir o referido ciclo, contou-se com a presença do Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio Nóvoa.
Tendo sido apresentado, em representação do município famalicense, pelo Dr. Leonel Rocha, Vereador da Educação, e pelo coordenador científico do Museu Bernardino Machado, Professor Norberto Cunha, António Nóvoa referiu-se a Bernardino Machado como sendo “uma referência sempre muito presente não só na pedagogia, mas até, para mim, dentro da Universidade”, acrescentando que “não seja raro o discurso em que o cito com frequência”.
Mesmo quando a Universidade de Lisboa celebrou o seu centenário em 2011, António Nóvoa acrescentou que a mesma Universidade “usou como lema uma frase de Bernardino Machado” que citou: “Uma Universidade deve ser escola de tudo, mas, sobretudo, de liberdade”, dizendo que “é uma frase muito forte e que adoptamos como lema do Centenário da Universidade de Lisboa”.
A ideia provocatória que o conferencista convidado lançou para a sua conferência foi, precisamente, se a pedagogia do século XIX e XX serve para alguma coisa, ou se ainda nos serve para alguma coisa, ou se já não nos serve e se temos que inventar uma outra atitude pedagógica para o futuro, uma outra forma de organizar as escolas para o futuro, acrescentando que “não direi grandes respostas, mas colocarei interrogações, para cada um encontrar a sua resposta”.
Nesta perspectiva e, no âmbito de mais uma provocação histórica, António Nóvoa diz-nos que “na educação, tudo o que é evidente mente, isto é, as evidências são mentirosas perante as questões da educação e da escola”, acrescentando que “temos de nos colocar sobre uma perspectiva crítica sobre as coisas”.
Neste sentido, a provocação histórica diz respeito quando evoca que “a escola, tal como a conhecemos é algo muito recente, existe há 4 gerações”. A análise que então realiza centra-se em três fases no processo educativo da criança: a separação, a normalização e a “infantilização”.
Se na época, século XIX está em causa uma educação integral, educar a criança na sua integralidade perante a ideia de escola única, nos tempos de hoje esqueceu-se precisamente este conceito de escola única, no sentido de, paralelamente, existirem várias actividades, defendendo a ideia de que aquilo que pertence à sociedade civil deve ser entregue à sociedade civil e o que pertence à escola deve ser entregue à escola.
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