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Conferência: Rafael Bordalo Pinheiro, inventor do mito nacional. Zé povinho, Estereótipo luso.voltar lista
08 de Julho de 2011
No âmbito da exposição que se encontra patente ao público no Museu Bernardino Machado - 4 de Junho a 28 de Agosto -, Vida e Obra de Bordalo Pinheiro, organizada pelo Museu Bordalo Pinheiro e cedida a título de empréstimo ao Museu, será realizada uma conferência pelo Prof. Doutor João Medina.

Conferência:  Rafael Bordalo Pinheiro, inventor do mito nacional. Zé povinho, Estereótipo luso.
Conferencista: Prof. Doutor João Medina, Professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa
Data: 8 de Julho de 2011
Hora: 21h30
Local: Museu Bernardino Machado
Ingresso: Entrada Livre


Resumo da conferência:

SER SIMPLESMENTE POVO

Para o Professor João Medina, o "Zé Povinho" é "como uma sinopse da própria mentalidade do povo que o engendrou e nele, através dum (duplo) diminutivo tão revelador, se tornou nosso símbolo, totémico retomado por inúmeros cartoonistas ao longo da monarquia constitucional, da I República e, após a longa vigência da censura ditatorial, ressurrecto após o 25 de Abril, ainda que nos custe aceitar como nosso retrato verídico essa imagem deprimente e incomodamente labrega que nos espreita do fundo do nosso espelho colectivo, aquele rosto bronco de pascácio rural, de campónio mal vestido, barba rala, colete e chapéu preto de rústico, calças de fazenda ruim, mãos nos bolsos, riso alvar, espécie de resignado Sancho Pança sem um cavaleiro da Triste Figuras que o quixotize e lhe comunique um Ideal superior".

Foi nestes termos que o Professor João Medina caracterizou o "Zé Povinho" que no define na conferência com o título "Rafael Bordalo Pinheiro, Criador do Zé Povinho", no âmbito da exposição que se encontra patente no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, dedicada à vida e à obra do caricaturista português.

Na sua "incursão transcendente", propôs o Professor João Medina (numa sessão bastante concorrida de público) a explicação, a partir do momento em que a apareceu, o mito do "Zé Povinho" e do seu gesto simbólico numa perspectiva da antropologia social.

Tais símbolos, numa linguagem gestual, são símbolos contextualizados psicologicamente, sociologicamente e historicamente. Símbolos históricos, digamos, com uma carga psicológica e sociológica perante um determinado momento social configurado historicamente.

Sempre ao lado da história existiram os ditos "parvos" e os "idiotas", os quais através de parvoíces revelam as verdades: é o caso do bobo medieval, do parvo vicentino ou o nosso "Zé Povinho", que através de uma linguagem gestual e, neste caso, obscena, promove o estado de espírito e de sítio socialmente revelado. Aliás, o único gesto obsceno do "Zé Povinho" é o manguito, linguagem simbólica tipicamente portuguesa, sendo este o seu gesto mágico, servindo o mesmo gesto para quebrar algo nefasto, o gesto da dissuasão, interpretando-o o Professor João Medina numa perspectiva de edificação sexual masculina, apesar de possuir um mecanismo psicológico complexo que poderá ter várias interpretações.

É o gesto do "Ora Toma!" Diz o "Zé Povinho" a Paiva Couceiro: "Ai querias a Monarquia? Ora Toma!" O "Zé Povinho" surgiu pelo lápis de Bordalo Pinheiro na "Lanterna Mágica" em 12 de Junho de 1875. Neste desenho, o que a simbologia caricatural carrega é, precisamente, o problema do fisco, o "Zé Povinho" vítima dos impostos. Por seu turno, o de 1887 é a caricatura face aos políticos e uma vez mais o fisco; o de 1899 é o "Zé Povinho" do desespero, desesperado face ao poder governamental, enquanto que o de 1910 é o da ilusão e da esperança. Citando Ramalho Ortigão, diz-nos o Professor João Medina que o "Zé Povinho" só poderá deixar de ser simplesmente "Zé Povinho", quando passar a ser simplesmente povo, representando a verdadeira Democracia.

Em 1880 surge uma dialéctica estranha em Portugal, entre o "Camões" dos republicanos e o "Zé Povinho" de Bordalo Pinheiro: sem em "Camões" temos o emblema da Pátria, o totem por excelência literária e histórico-cultural do País, com o "Zé Povinho" deparamo-nos com o País Real.

Camões é a transcendência (um Camões que já desde Almeida Garrett o que ria fazer a figura, a voz e o rosto da portugalidade, reatar o próprio feito para ser recordado pela geração futura, isto em 1825, numa altura em que já tinha visto o quadro, em Paris, de Domingos António Sequeira, entretanto desaparecido, e ouvido a música camoneana de Domingos Bom Tempo, renascendo a ideia com a regeneração, pretendendo salvaguardar o tempo da memória, com a inauguração da estátua em 1867, em Lisboa, de Vítor Bastos), o mito da Pátria feita palavra duradoura e eterna; por outro lado, temos o "Zé Povinho", que é o português real, autêntico, o resignado, a vítima que não faz mal a ninguém, mas que é espezinhado, carregando as "espigas" e as "albardas" governamentais, representando tudo aquilo que ninguém quer, sem utopias, revoltando-se de vez em quando numa explosão de descontentamento.

Está simplesmente há espera 136 anos para deixar de ser simplesmente "Zé Povinho" para passar a ser simplesmente povo.
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