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ENCONTROS DE OUTONO 2010voltar lista
26 a 27 de Novembro de 2010
COLÓQUIO

A I República nos Municípios Portugueses
Organização: Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão / Museu Bernardino Machado
26 e 27 de Novembro de 2010
Casa das Artes – Vila Nova de Famalicão

INFORMAÇÕES
Museu Bernardino Machado
Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79
4760-114 Vila Nova deFamalicão
Telefone 252 377 733
Email: museu@bernardinomachado.org
Internet: http://www.vilanovadefamalicao.org/ | http://www.bernardinomachado.org/


RESUMO



José Viriato Capela
Município, Municipalismo e Regionalismo (séculos XVI-XIX)


O Prof. Viriato Capela realizou uma reflexão sobre o municipalismo e regionalismo, nas suas palavras, não tanto sobre a República, mas que se forma a favor e contra a República. Podemos dividir a sua comunicação em duas partes: por um lado, tece considerações sobre o municipalismo e o regionalismo, relacionando com a regionalização pós-25 de Abril, e, por outro, faz uma reflexão sobre a administração eclesiástica e civil. Desta forma, o surge como uma política moderna e social que favorece os interesses regionais, defendendo e promovendo os interesses regionais no quadro do poder local. O regionalismo surge, assim, como o passado da regionalização, tendo a ver com manifestações regionalistas, como é a cultura, a literatura, literatos que reflectem sobre os costumes, as tendências que defendem no contexto do regionalismo. Nasce o regionalismo em 1820, oriundo, portanto, das revoluções liberais, e no pós-25 de Abril aflora nos planos da regionalização. Por seu turno, o papel do municipalismo nasce no século XIX, aprofundando as questões sociais e territoriais. O municipalismo e o regionalismo surgem, desta forma, no século XIX numa perspectiva social e territorial, reflectindo-se igualmente nas instituições e nas gentes. No pós-25 de Abril, com a regionalização, não se defende o território. Para o Prof. Viriato Capela, os grandes municípios é que querem colocar em acção os seus grandes planos.
Após estas considerações iniciais, o Prof. Viriato Capela desenvolve a temática da administração civil e eclesiástica, efectuando os seus paralelos administrativos. Considera que o município antigo não promove a harmonização, mas a desigualdade concelhia, territorial. A base municipal fechada e o esforço da monarquia de criar espaços territoriais amplos e humanos, encontrando, contudo, algumas dificuldades, o regionalismo tem uma mudança de paradigma, sendo este paradigma por parte do regionalismo a de criar quadros territoriais e humanos, nomeadamente paroquiais e as dioceses, na medida em que a instituição política e eclesiástica tem a força das comunidades civis, sendo os párocos a expressão máxima da vida local, a expressão dos valores da comunidade. Para o Prof. Viriato Capela, o municipalismo não deixa de integrar a paróquia no seu próprio desenvolvimento. As paróquias criam uma pequena gestão territorial. Por seu turno, o quadro administrativo das dioceses surge como quadro de acção e na conformação regional está na direcção de um bispo, o qual está relacionado com o governador civil. O Prof. Viriato Capela adianta que a base territorial da formação de Portugal encontra-se nos limites territoriais das dioceses, às quais seguem os distritos.




Norberto Ferreira da Cunha
A I República em Vila Nova de Famalicão


Na tomada de posse da nova comissão administrativa, Sousa Fernandes, o novo presidente da câmara de Famalicão com a implantação da República, enaltece que a República é o espaço onde cabem todos os portugueses, estando em causa um projecto comum e patriótico para a regeneração do projecto colectivo de Portugal. Para o Prof. Norberto Cunha, o acto político e administrativo de Sousa Fernandes é tentar justificar a mudança do regime com expectativas messiânicas, no sentido prosaico, não só na tomada de posse, como igualmente também se pode ver tais expectativas na imprensa. O novo regime surge como uma "pura donzela", eis a imagem de marca perante um futuro feliz.
Há uma denúncia na imprensa republicana famalicense a propósito de algumas problemáticas. Caso, por exemplo, da chefia de alguns cargos que estão na posse de monárquicos, como é na magistratura judicial, chefias policiais e na continuidade dos quadros da função pública. Não se pede o seu afastamento, mas pede-se o afastamento dos cargos, pelos actos violentos que muitos deles então fizeram contra os republicanos. Outro tema em foco é o caciquismo. Continuava a existir caciques em Famalicão. Para o Prof. Norberto Cunha está aqui a família Folhadela, existindo igualmente uma ostracização ao industrial Narciso Ferreira, que pretendia a criação do concelho de Riba d`Ave, existindo um movimento do poder contra essa susceptibilidade, chegando a haver propostas no congresso e no senado para a sua criação. Havia também a questão dos adesivos, os monárquicos que se converteram à República, ou pelos seus interesses, ou pelos seus ideários patrióticos, na medida em que a República fazia a sua política de atracção, sendo um dos seus teorizadores Bernardino Machado. Tal processo já vinha antes de 1910, já que o Partido Republicano precisava de quadros de competências, não achando o conferencista que tal se coadune com a verdade. Outra perspectiva era doutrinar os cidadãos. Em Sousa Fernandes temos uma prosa doutrinal, já que o que estava em causa era a procedência do político sobre o económico. Primeiro a revolução política e de pois a económica. O critério do político era a vontade popular pelo sufrágio universal; e com a reforma política a reforma das mentalidades. Paralelamente, a estas temáticas surgem a moral autónoma, o papel das mulheres, os republicanos foram contra a participação cívica da mulher. Aliás, Júlio Dantas numa conferência em Lisboa dizia que cada um é para o que nasce e "O Porvir" famalicense de Sousa Fernandes dizia "Muito Bem"!
A segunda parte da conferência do Prof. Norberto Cunha diz respeito à República em Famalicão na guerra e a República do Pós-Guerra, com as suas dificuldades inerentes de implantação. Durante este período o discurso da crise social suplantou o discurso político, de vido há crise das subsistências O que se pede é gente competente nas autarquias. Havia uma oposição ao poder político autárquico, que não era organizada, inicialmente, mas reclamava eleições, a normalidade constitucional e as medidas gestacionais autárquicas para o desenvolvimento da comunidade. A primeira cisão a nível nacional fez-se sentir em Famalicão, perante a eleição presidencial, ganha por Arriaga em detrimento de Bernardino Machado. Há conflitos políticos, surge uma decepção famalicense. Para além destas duas instabilidades, temos igualmente as incursões couceiristas. A partir de 1917 temos não só o caos económico, como também se solicita a alternativa de competências, o Partido Democrático perdeu as eleições a favor do partido das competências. Com o período do sidonismo o que temos é o período da ordem. A monarquia do norte tem profundos reflexos em Famalicão, tendo sido aclamada por milhares de pessoas. Contudo, ela não foi aclamada, foi a junta governativa que a nomeou. Para além deste caos político-administrativo, a partir de 1920 se a nível nacional sucedem-se vertiginosamente sucessivos governos, em Famalicão as pessoas que estiveram envolvidas na monarquia do norte serão presas sem culpa formada. Com o neo-sidonismo surge uma prostituição e torpeza republicana perante a falsificação das eleições, instabilidade social, caso do racionamento alimentar, e político, na falsificação dos resultados.




Artur Coimbra
A Contra-revolução Monárquica em Fafe (1991-1919)


Tecendo inicialmente considerações sobre o desenvolvimento arquitectónico a seguir à implantação da República na cidade de Fafe, a qual foi proclamada oficialmente no dia 9 de Outubro, nomeadamente a Central Hidroeléctrica Santa Rita, o cinema, a escola primária ou o edifício da Câmara Municipal, considera que as incursões couceiristas são uma reacção ao ideário e à prática republicana. Artur Coimbra teoriza inicialmente sobre a prática política de Paiva Couceiro, para depois entrar nas incursões monárquicas por terras de Fafe. Assim sendo, Paiva Couceiro pretendia igualmente mostrar a vulnerabilidade republicana com uma alternativa monárquico-conservadora aos republicanos. Paiva Couceiro queria assim, para Artur Coimbra, os seguintes princípios geradores para o desenvolvimento de Portugal, a obediência à pátria e agir contra a desordem e as lutas fraticidas dos republicanos para o ressurgimento nacional pela paz e pelo trabalho. Em Paiva Couceiro encontramos a teoria da resistência pelas armas, teoria esta que D. Manuel II não apoiava nem aceitava, já que os monárquicos deveriam ganhar o poder pelas eleições.




Maranhão Peixoto
Viana do Castelo na I República


Para este conferencista, em Viana do Castelo não há movimentos radicais, existindo uma coabitação ideológica, passando à margem dos movimentos conspirativos, na medida em que é uma cidade grata à monarquia. A partir de meados do século XIX, com a atribuição da carta de foral de cidade em 20 de Janeiro de 1848, pela rainha D. Maria II, Viana do castelo atinge uma projecção regional invejável, com o desenvolvimento urbe. Viana é grata à monarquia porque é na regeneração que conhece um forte desenvolvimento quando se dá a República. A figura de proa deste desenvolvimento é Manuel Afonso de Espregueira (1835-1917). Quando se dá a República, a qual já se conhece no dia 6, mas em termos oficiais em Viana é proclamada no dia 8, com a tomada de posse da comissão administrativa, lê-se na imprensa que se marcha "para a anarquia", conforme o diz o jornal "Aurora do Lima". Com estas considerações, o conferencista desenvolve particularmente as novas características do espaço urbano (toponímia, arquitectura), assim como o seu novo ordenamento.




Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado
História da I República em Chaves


Para Montalvão Machado, os ideais republicanos germinaram cedo em Chaves. Tradicionalmente absolutista e miguelista, os republicanos foram ganhando terreno na urbe flaviense. Destaca a figura de Aníbal de Sousa Pinto de Barros, comerciante e proprietário do jornal "Tribuna de Chaves", no qual critica o Ultimatum de 1890, proclamando "Morte à Inglaterra, Morte á Monarquia". No final do século XIX, já quinze aldeias de Chaves possuíam centros republicanos. Uma outra figura que destaca É António Joaquim Granjo, tomando parte do conluio conspirativo em 1908, pertencendo à parte civil dessa mesma revolta. A implantação da República é comemorada a 8 com uma parada militar. António Granjo é nomeado o 1.º presidente do município a seguir à República. Devido às incursões monárquicas de Paiva Couceiro, e de estarem exilados na Galiza, e bem perto da fronteira, surgiram os voluntários civis para a defesa da cidade, estando presente a Carbonária nesse voluntariado. Aliás, as incursões monárquicas pouco duraram em Chaves. Com o sidonismo uma forte cisão dos republicanos em Chaves. Em 1928, com o general Sousa Dias, houve a última tentativa para a recolocação da República.




Ribeiro Aires
Uma República Rebelde


Vila Real esteve sempre contra as ditaduras, pelo menos é o que depreende desta comunicação. Não só teve resistências republicanas face à monarquia, como igualmente esteve ao lado do Mestre de Avis, edificou um movimento de libertação face às invasões francesas, e houve sempre uma luta enraizada entre o constitucionalismo e o miguelismo. Todas estas acções tiveram uma acção directa ou indirecta. Mesmo nas resistências republicanas face à monarquia, tentou-se a edificação da República Independente de Trás-os-Montes, para a edificação de uma república democrática. Sempre esteve em causa a preocupação de clarificar o que era a República ou o que é ser republicano, enquanto regime de igualdade, liberdade ou de tolerância. Tais ecos de pensamento republicano encontram-se, particularmente, na imprensa, questionando-se a identidade da monarquia, que o país estava na miséria, na ruína, vivendo numa monarquia esbanjadora, existia a corrupção, despesas avultadas, ditaduras, a vaidade real, salientando igualmente a polémica lei da rolha. Mesmo jornais monárquicos, por exemplo, caso de "O Vilarealense", diziam que o país está sob um vulcão, isto a seguir particularmente ao regicídio. "O Povo do Norte" proclamava que a República era inevitável, pretendendo a instauração da educação cívica para a tolerância e a igualdade, com uma lei igual para todos, dizendo que só a República tomará a ditadura. Para o conferencista existiram os republicanos de acção e os republicanos de silêncio, não apanhando a República os transmontanos desprevenidos. Da tão projectada festa monárquica, com a visita do rei, se fez então a festa republicana, já que a visita real não se chegou a efectuar. Para o conferencista, os monárquicos e os militares eram os principais inimigos da nova estrutura social e política, a República. Revela-nos igualmente que a imprensa, perante a I Guerra Mundial, tanto era a favor como tinha algumas dúvidas da participação de Portugal na mesma. Destacou algumas figuras republicanas de Vila Real, caso de Ribeiro de Carvalho e seu filho, Alves da Veiga, Augusto César, etc.




Augusto Monteiro
O Rei Não Veio. A República Chegou. (A I República em Bragança)


Salientando alguns paralelismos e dissemelhanças com Vila Real e Chaves, foca o conferencista a República em Bragança através da sua imprensa, a propósito da suposta visita real, isto é, do périplo transmontano do rei. Salienta, inicialmente, a "Gazeta de Bragança", cujo título a propósito da visita real estava assim denominado: "Vilegiatura de El-Rei", não dando a imagem de uma visita de trabalho. Assim sendo, não há um ritualismo comemorativo da sua visita. Por seu turno, no jornal "A Pátria Nova", jornal republicano fundado em 1908, evoca-se a dimensão messiânica da República, dizendo que a viagem de el-rei nada traria de novo não só á região, como ao país, já que não tinha tempo para ver e observar os problemas sociais. Quando se dá a República, "A Pátria Nova", de João Freitas, próximo e amigo íntimo de António José de Almeida, encima com um "Enfim!" a sua implantação. Considerando que a quebra da monarquia é culpa da imprensa, pelo menos em Bragança, foca alguns aspectos da sua sociabilidade cultural. A imprensa proclama os seguintes ideários republicanos: campanha anti-clerical, a chamada do clero secular para a causa da República, o respeito pelos direitos adquiridos, a República é para todos, ressurgir o país das ruínas, a instrução nacional, a desenvolvimento agrícola, harmonizar os baldios. A 26 de Outubro a República em Bragança já estava organizada em termos institucionais, tendo sido realizada a proclamação formal sem pompas e circunstâncias. Como noutros municípios, a alteração da toponímia foi uma realidade. Contudo, o "Jornal de Bragança" proclama que "a revolução parece que não acordou de todo", e isto devido às crises sociais que entretanto foram evoluindo, caso do surto grevista, uma constante preocupação da comissão municipal, a emigração, assim como algumas críticas, o problema da higienização da urbe, é criticada a falta de luz eléctrica, o estado lastimável das ruas da cidade. Para uma instabilidade da República na cidade, houve a tentativa da criação do Partido Republicano Conservador Local. Para além de focar a existência de um catolicismo de inspiração social e as formas de sociabilidade cultural da cidade, conclui o conferencista que o rei não veio a Bragança, mas quem veio foi o ministro da guerra em 1911, o coronel Xavier Barreto, assim como também acabará por dizer que a falta de interesse e de entusiasmo do povo perante a aclamação da República foi notório.




Amaro das Neves
A Alvorada da República no "Berço da Monarquia"

Tecendo considerações sociais, económicas e culturais, numa fase inicial, caso do processo de industrialização. A geração de Martins Sarmento e de Alberto Sampaio, a exposição industrial, a criação da Sociedade Martins Sarmento, a indústria a vapor, a lei da desconexação de Guimarães a Braga, a cidade era essencialmente uma franquista. Com a proclamação da República, instalada oficialmente a 8, chegando a 5, evoca a imprensa monárquica então existente em Guimarães.Com a República, realça as alterações urbanísticas e toponímicas, surgindo reivindicações administrativas, caso da independência de Vizela face a Guimarães, surgindo o movimento de Vizela. A Sociedade Martins Sarmento, fortemente criticada, e sendo considerada como um "ninho de reaccionários e de uma classe de privilegiados", não hasteou a bandeira republicana. Os republicanos, para o conferencista, apropriaram-se das figuras e imagens simbólicas, caso de D. Afonso Henriques. Em 1911, a cidade comemorou o oitavo centenário do nascimento de D. Afonso Henriques, comemoração enquadrada nas festas da cidade e das gualterianas, com vivas à República.




Vítor Pinho
Principais Linhas de Força das Vereações Barcelenses durante a I República


Para este conferencista, o que Barcelos difere dos outros municípios é nas alternâncias do poder autárquico: em 16 anos de República, os republicanos estiveram 11 vezes no poder, enquanto os monárquicos alcançaram cinco vezes! Destaca a figura de Miguel Fonseca pelo partido Democrático e a figura de Matos graça pelos monárquicos. Tecendo considerações sobre a sociabilidade, a economia, a indústria e a instrução em Barcelos, a seguir à República existe a preocupação da harmonização da vila, perante uma disposição estética, arquitectónica, habitacional e arbórea para a edificação de uma nova planta geral da cidade. Foca, particularmente, o desenvolvimento da instrução em Barcelos, com a criação do Círculo escolar de Barcelos, a criação das Escolas Móveis, os cursos nocturnos e as escolas primárias superiores




Amadeu Sousa
Braga no ocaso de uma "história de reis": movimentações monárquicas e republicanas entre 1908 e 1910


O conferencista demonstrou a harmonização dos esforços e a dinamização dos republicanos e, ao mesmo tempo, dos progressistas e regeneradores na cidade de Braga. Se o jornal monárquico, dirigido por Vicente Braga, "A Pátria", pretendia a unidade dos monárquicos, os republicanos, para além de se candidatarem às eleições parlamentares de Abril de 1908, intensificavam a sua propaganda na imprensa bracarense, nos comícios que realizavam, excursões e com a fundação de centros republicanos e escolares. Das figuras republicanas destaca Luís Augusto Simões de Almeida, Manuel Monteiro, futuro governador civil, Justino Cruz, entre outros, enquanto a figura principal por parte dos monárquicos é o Visconde da Torre. A notícia da implantação da República chega de 5 para 6 e é oficializada a 7 de Outubro na Câmara Municipal de Braga.




António José Queiroz
Amarante na I República


O conferencista parte do pressuposto que antes da República não havia muito republicanos em Amarante, não se conhecendo a primeira comissão municipal, mas conhece-se a sua figura de proa, António Augusto Cerqueira Coimbra. Salienta, o facto, de Teixeira de Pascoaes ter sido um dos fundadores do Partido Republicano em Amarante. Considera também que a implantação da República foi uma transição pacífica de poderes. Em termos institucionais pós-republicanos, houve em Amarante, em épocas de eleições, as listas neutras e as listas oficiais. Se da parte dos monárquicos a figura principal é o pai de Amadeo de Sousa Cardoso, Emídio de Sousa Cardoso, os republicanos tipificavam com a figura de António Cerqueira. Com a cisão do Partido Republicano no Partido Evolucionista, em 1912, pontificaram os irmãos Coimbra.




João Francisco Marques
A I República na Póvoa de Varzim


Salientando inicialmente o conferencista a Póvoa de Varzim nos seus aspectos sociais, culturais, políticos e económicos, assim como a imprensa, caso dos jornais "O Comércio da Póvoa de Varzim", "O Poveiro", ou "O Liberal", enaltece a personalidade de António Santos Graça, comerciante, jornalista, polemista, político e solidário em extremo com a classe piscatória que foi o seu berço. Logo na 1.ª reunião da câmara republicana, estabelecem-se três características principais: de carácter interno (a publicação das actas camarárias), político-ideológico (telegrama ma enviar para Lisboa a felicitar o governo provisório e pelo falecimento de Miguel Bombarda) e de profilaxia social, isto é, o amor à limpeza, já que o turismo na Póvoa de Varzim era o assunto principal. Com a implantação da República, surge na imprensa poveira uma clivagem ideológica, em jornais como "O Comércio da Póvoa de Varzim", a "Estrela Povoense", "O Liberal", "O Poveiro" ou em "O Povoense". Destaca, particularmente, o desenvolvimento da instrução na Póvoa, caso da fundação da Universidade Popular, tendo à cabeça Leonardo Coimbra, e o incremento das actividades culturais, focando igualmente o desenvolvimento urbanístico, enquanto que no plano económico surgem os banhos quentes na vida balnear. Com as crises económicas, surgem as crises sociais, reflectindo na emigração, emigrando os poveiros essencialmente para o litoral brasileiro de Manaus (Rio Grande do Sul) e para Angola. Em 1921 temos o projecto de lei da Caixa de Crédito Agrícola, de Santos Graça, que acabou por não ser aprovado, para a classe piscatória. Entre outras obras, Santos Graça desenvolveu o porto de abrigo, a casa dos pescadores, entre outros projectos sociais levados a cabo para a classe piscatória. Realçando a resistência clerical que sempre muito importante na Póvoa, o conferencista salientou as sessões de esclarecimento por parte dos republicanos, identificando-se com uma jesuitofobia, a campanha de desenvolvimento da instrução, enfim, proclamavam essas sessões a difusão dos ideários republicanos contra a monarquia. Tinham uma adesão em massa. No jornal "A Tradição", de Vicente Leal Sampaio, em 1926, já se pode ler o ressurgimento do "folgo do conservadorismo monárquico".




Jorge Alves
O "Desejado". O Poder Local, o Projecto de Código Administrativo Republicano e suas Atribulações


Com a pretensão de uma reivindicação da reforma administrativa, o que o conferencista pretende analisar é, precisamente, o que eram as câmaras municipais e o que elas então esperavam ser com a implantação da República. Em 12 de Julho de 1911, o deputado João de Menezes já dizia que mais do que a constituição, o que o preocupava era a reforma administrativa. A reforma administrativa será, portanto, um dos objectivos assinalados na organização do estado constitucional. Aliás, já no manifesto do Partido Republicano de 11 de Janeiro de 1891 aparece a reforma administrativa como uma forma de resolver a crise nacional, perante o princípio de igualdade e de justiça perante a lei, a autonomia municipal, as garantias individuais, projectando a ideia da federação dos municípios, pretendendo devolver a soberania ao povo, estando em causa a soberania popular, que a monarquia mitigou. Tais pressupostos têm a sua herança liberal na patuleia, no setembrismo e ao vintismo. O que está em causa é uma crítica ao modelo centralista, pretendendo os republicanos uma unidade administrativa como motor do progresso, pretendendo-se um estado unitário em Portugal em vez de uma república federativa. Contudo, para o conferencista as leis descentralizadores republicanas atrasaram-se para a reforma administrativa, tendo inopereidade política. Mesmo a lei de Afonso Costa, a n.º 88, do código administrativo e da lei administrativa, não produz grandes efeitos. O país continuava a ser regido administrativamente pela lei de 1873 de Rodrigues Sampaio e pela de 1896 de João Franco. A República até 1913 foi administrada por códigos administrativos monárquicos. Com a lei de 1917 surge a criação das freguesias e dos concelhos, em 1919, com José Relvas, surge a possibilidade um novo código administrativo, o qual não chegou de todo a ser discutido nem aprovado, e em 1924, com Álvaro de Castro, extinguem-se os administradores do concelho, mas a mesma designação é mantida. Só desapareceu em 1936, tendo sido criado em 1835, mantendo um papel policial. Concluindo, o grande ideal do poder local foi aos poucos sendo afunilizado, a República segue as leis da monarquia, não teve condições para aplicar o federalismo, o municipalismo e a descentralização municipal. O que advém da reforma administrativa é o desaparecimento do presidente da junta de paróquia.




PROGRAMA

26 de Novembro

9h30
Abertura do colóquio

Dr. Paulo Cunha
Vereador da Cultura e Vice-Presidente da
Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

Prof. Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Coordenador Científico do Museu Bernardino Machado

10h00
Municipalismo e Republicanismo
Doutor Viriato Capela
Prof. Catedrático Faculdade de Letras da Universidade do Minho

10h30
A I República em Vila Nova de Famalicão
Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Prof. Catedrático Aposentado do Instituto de Letras e Ciências Humanas
Universidade do Minho

11h00
Debate
Intervalo

11h30
A Contra-revolução monárquica em Fafe (1911-1919)
Mestre Artur Coimbra
Chefe de Divisão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Fafe

12h00
Viana do Castelo na I República
Dr. António Maranhão Peixoto
Director do Arquivo Municipal de Viana do Castelo

12h30
Debate
Almoço

15h00
História da I República em Chaves
Dr. Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado
Médico – Chaves

15h30
Vila Real: República rebelde
Dr. Joaquim Ribeiro Aires
Professor na Universidade Sénior de Vila Real

16h00
Debate
Intervalo

16h30
O Rei não veio. A República chegou.
(A I República em Bragança)
Dr. Augusto Monteiro
Investigador do CEIS20
Universidade de Coimbra

17h00
A alvorada da República no "Berço da Monarquia"
Dr. Amaro das Neves
Presidente da Sociedade Martins Sarmento

17h30m
Principais linhas de força das Vereações Barcelenses durante a I República
Dr. Victor Pinho
Chefe de Divisão BAD do Município de Barcelos

18h00m
Debate
Conclusão



27 de Novembro

10h00
Braga no ocaso de uma “história de reis”: movimentações monárquicas e republicanas
entre 1908 e 1910
Mestre Amadeu Sousa
Professor do Ensino Secundário e Colaborador do CEIS 20
Universidade de Coimbra

10h30
Amarante na Primeira República
Prof. Doutor António José Queiroz
Investigador

11h00
Debate
Intervalo

11h30
A I República na Póvoa de Varzim
Doutor João Francisco Marques
Prof. Catedrático Jubilado da Universidade do Porto

12h00
O “desejado”. O poder local, o projecto de código administrativo republicano e suas atribulações.
Doutor Jorge Fernandes Alves
Professor Catedrático do Dep. História e de Estudos Políticos e Internacionais
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

12h30
Debate
Encerramento
Dr. Paulo Cunha, Vereador da Cultura e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão



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