Na passada sexta-feira, o Museu Bernardino Machado encheu-se, uma vez mais, para escutar Ana Simões falar do papel do Abade Correia da Serra e das suas relações com os Estados Unidos da América. A professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa sintetizou, assim, a sua conferência: "A história e a geografia de vida do Abade Correia da Serra (1751-1823) foram marcadas pela constante itinerância e pelo ritmo das perseguições: em criança e jovem viveu em Itália; com 26 anos regressou a Portugal, onde permaneceu até 1795, ano em que partiu para Londres; na capital inglesa viveu durante seis anos, viajando, depois, para Paris; em 1812, mudou de residência, uma vez mais, agora para os Estados Unidos da América, onde desempenhou funções diplomáticas, tornando-se um grande amigo e conselheiro de Thomas Jefferson. Regressará a Portugal em 1821, vindo a falecer, pouco depois, em 1823. Nos longos períodos passados no estrangeiro, Correia da Serra teceu ideias originais sobre vários tópicos de história natural, no âmbito de uma concepção do mundo em que história, história natural, organização social e projeto político são interdependentes. Longe de ser apenas uma figura do Iluminismo português, Correia da Serra foi um naturalista do mundo, que se afirmou no espaço europeu e americano, reconhecido entre pares pelas suas ideias extremamente inovadoras e pela sua capacidade ímpar enquanto mediador e catalisador da comunicação entre naturalistas. Nesta palestra centrar-me-ei no período americano da vida do Abade Correia da Serra, perspectivado à luz do seu atribulado percurso de vida e das suas averiguações científicas, para esclarecer particularidades da interface entre ciência, política e diplomacia." |