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| Bernardino Machado, O Pedagogo | voltar lista |
| 23-09-2013 |
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Esta exposição, onde se pretendeu associar, numa perspetiva compreensiva, o conteúdo à imagem, visa mostrar que Bernardino Machado tinha uma perspetiva integrada (do ponto de vista psicopedagógico) da aprendizagem, centrada na autonomia prometeica do educando, cujo processo devia contar, sobretudo, com a ajuda da competência e da conduta, moralmente, exemplar do professor.
Percorrendo as reflexões de Bernardino Machado, ao longo destes painéis, constatamos não só a importância moral (mais até que profissional) que atribuía aos diversos graus da instrução (do pré-primário ao superior), mas quanto considerava fundamental a psicopedagogia para compreender a gradação daquele processo de aprendizagem e, também, quanto a instrução era condição incontornável duma vida cívica e, politicamente, democrática.
Bernardino Machado foi, pode afirmar-se sem reservas, um precursor da Escola Nova: porque preconizou uma instrução centrada nos interesses e atividades do aluno; porque apelou à observação e experimentação na aprendizagem, porque enfatizou o papel que nela devia desempenhar a natureza física (corporal e natural) e porque a tornou subsidiária duma moral e política laicas. Bernardino Machado foi o único pedagogo da Península Ibérica referido por Claparède, quando lançou o seu olhar escrutinador sobre esta ponta da Europa.
A instrução, para Bernardino Machado, ainda que tivesse de ter em linha de conta as idiossincrasias locais e as suas necessidades (daí que não lhe repugnasse que fossem os municípios a gerir o ensino primário e o ensino elementar profissional) não era dissociável de objetivos nacionais, o que justificava a sua parcial centralização, através da existência de um “Estado docente” (ou Ministério da Instrução), a quem cabia definir o essencial dos programas, a formação e colocação dos professores e a sua avaliação.
Não recusava, todavia, o ensino particular (primário e profissional), mas sob a fiscalização (aprendizagem, docentes e avaliação) do Estado, cuja legitimidade para esta instrusão se devia impor pelo ensino “modelar” que devia ministrar. Já quanto ao ensino médio (liceal e profissional) e superior, este devia ficar inteiramente sob a tutela do Estado.
Ao ensino liceal cabia ministrar aos alunos uma formação geral, uma “visão do mundo” (que devia ser continuada, recorrentemente, pela vida fora) e não qualquer formação “especializada” (era a porta para o ensino superior); ao ensino profissional (comercial, industrial e agrícola, em cuja reorganização Bernardino teve um papel fundamental, quando foi ministro em 1893) cabia ensinar uma profissão e, mais que tudo, a adoção de certos métodos de trabalho, suscetíveis de promover o self-government, a sociabilidade, o cooperativismo e o altruísmo.
Quanto ao ensino superior, não só devia ministrar uma superior instrução “especializada”- onde o professor devia ter um papel meramente subsidiário na aprendizagem do aluno - mas ser o cadinho de um escol de civismo e da política. Por fim, Bernardino Machado chama-nos ainda a atenção para a instrução popular, de iniciativa particular (como a Academia de Estudos Livres, a Liga de Instrução do Porto e a Sociedade Martins Sarmento, entre outras) que prestava excelentes serviços pedagógicos aos adultos, em horário noturno, fornecendo-lhes um conjunto de competências, úteis para a sua vida profissional e cívica - como aritmética, leitura, línguas, história e geografia, ciências naturais, dactilografia, eletricidade, etc.).
Enfim, como se pode ver, a preocupação de Bernardino Machado é que todos os graus de ensino, pelos seus métodos (mais até do que pelos seus conteúdos), contribuam para a formação moral (onde subsumia a politica) dos alunos e, subsidiariamente, para a aquisição de competências profissionais; mas estas vinham sempre depois da pessoa e do cidadão, de que eram um corolário (e não o inverso).
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